Mais de 7 mil pessoas de 170 países e 183 organizações – movimentos populares, sindicatos, ONGs, indígenas, quilombolas, pescadores etc. – reuniram-se em Brasília no Fórum Alternativo Mundial da Água, no momento em que era realizado o 8.º Fórum Mundial da Água, na semana de 18 a 23 de março. Em todas as atividades, ficou evidente o ponto de vista do Fama em defesa do controle público e contra a privatização dessa riqueza natural.

Alinhado com o lema escolhido pelos organizadores do Fórum Alternativo – “Água é direito, não mercadoria” – o Sindágua esteve presente na organização do evento e nas várias atividades autogestionadas realizadas nos dias 17 de 18, na Universidade de Brasília. Também participou de assembleias, atos culturais e projetos ocorridos no Parque da Cidade, entre eles o ‘Movimento Fama nas Escolas’, com a presença de quase dois mil estudantes de escolas públicas do DF e Entorno. Esse projeto teve o objetivo de sensibilizar os estudantes para a importância de se compreender a água como um direito fundamental à vida e não com a lógica do lucro e da privatização.

Declaração final do FAMA reafirma: “Água não é mercadoria, a água é do povo”

Trinta e seis organizações assinaram o documento resultante das discussões e atividades promovidas pelo Fórum Alternativo Mundial da Água, assinalando o compromisso fundamental de se manterem mobilizados e em luta e enraizarem os processos de construção até aqui realizados. O documento reafirma a luta contra qualquer privatização e o estabelecimento de propriedade privada da água. O FAMA defende a água como um bem comum, ou seja, que deve ser controlado e estar a serviço do povo.

E mais: denuncia a 8.ª edição do FMA, o “Fórum das Corporações”, como um espaço de captura e roubo das nossas águas. O Fórum e o Conselho Mundial das Águas são vinculados às grandes corporações transnacionais e buscam assim atender exclusivamente a seus interesses, em detrimento dos povos e da natureza, reafirma o documento cuja íntegra pode ser lida abaixo.

“É necessário reafirmar que existem dois projetos completamente distintos de mundo. O FMA pretende monopolizar nas mãos de poucas pessoas toda a riqueza decorrente da água, sem se importar com as consequências disso. O FAMA enxerga a água como recurso essencial à vida e se contrapõe a sua apropriação privada em qualquer dimensão.”

Relatório: Má gestão é a causa dos problemas de abastecimento de água no DF

Está disponível no site do Sindágua o relatório sobre a crise no abastecimento de água no DF, produzido sob a coordenação do consultor em saneamento Adauto Santos do Espírito Santo, com colaboração de diversos trabalhadores da Caesb, acadêmicos e sociedade em geral.

Logo no início, o relatório aponta que a crise está na gestão dos recursos disponíveis, o que provocou o colapso nos sistemas de abastecimento de água. “Uma das consequências da deficiência na gestão dos recursos hídricos é o surgimento e/ou o agravamento de conflitos de usos de água. Sendo bastante objetivo, a Caesb dispõe de outorga para captação no Lago do Descoberto de 6,0 m3/s há aproximadamente 40 anos, e desde a revisão do Plano Diretor de Água e Esgotos (2000) os estudos hidrológicos apontam para uma capacidade de exploração do manancial em apenas 5,1 m3/s, já indicando que há conflitos de uso de água na bacia hidrográfica e que uma das possíveis causas para a redução da vazão afluente ao reservatório é a retirada da água para outros usos. Assim, desde o ano 2000 poder-se-ia ter efetivado ações para avaliar as causas da redução da vazão afluente ao reservatório e implementado medidas no sentido de solucionar o conflito de uso, evitando o seu agravamento.”

De acordo com o relatório, as medidas necessárias não foram adotadas, sendo que a Adasa e a ANA emitiram, ao longo dos anos, outorgas de uso de água para outros fins que não o abastecimento humano, mesmo sabendo das deficiências existentes. Os problemas enfrentados hoje pela população podem ser creditados a uma série de decisões erradas, como a utilização do Lago do Corumbá IV como manancial abastecedor do Distrito Federal; descontrole na ocupação das bacias hidrográficas dos mananciais utilizados; abandono ou baixo aproveitamento dos pequenos mananciais; aumento dos índices de perdas de distribuição ao longo dos anos; não enfrentamento de maneira adequada dos conflitos de uso de água existentes principalmente na bacia do Rio Descoberto; e investimentos não prioritários em modernização de redes de distribuição.

Para superar a crise atual, o relatório aponta várias medidas de curto prazo e com baixos custos de implantação, operação e manutenção, além de enfatizar a importância de os gestores admitirem alguns erros e não voltarem a repeti-los no futuro.

Sindágua denunciou aluguel de “barraquinha” por quase R$ 174 mil por dia

Durante a realização do “fórum das corporações”, o Sindicato denunciou à imprensa que a diretoria da Caesb aprovou pagar, com dinheiro público e sem licitação, o valor absurdo de R$ 1.042.388,94 (um milhão e quarenta e dois mil e trezentos e oitenta e oito reais e noventa e quatro centavos) pela locação de uma “barraquinha” (estande) personalizada. O aluguel custou à Empresa incríveis R$ 173.731,49 por dia! O contrato foi celebrado com a empresa MCI BRASIL S.A., organizadora do evento.

DECLARAÇÃO FINAL DO FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DAS ÁGUAS

Quem somos

Nós, construtores e construtoras do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), reunidos de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília, declaramos para toda a sociedade o que acumulamos após muitos debates, intercâmbios, sessões culturais e depoimentos ao longo de vários meses de preparação e nestes últimos dias aqui reunidos. Somos mais de 7 mil trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, das águas e das florestas, representantes de povos originários e comunidades tradicionais, articulados em 450 organizações nacionais e internacionais de todos os continentes. Somos movimentos populares, tradições religiosas e espiritualidades, organizações não governamentais, universidades, pesquisadores, ambientalistas, organizados em grupos, coletivos, redes, frentes, comitês, fóruns, institutos, articulações, sindicatos e conselhos.

Na grandeza dos povos, trocamos experiências de conhecimento, resistência e de luta. E estamos conscientes que a nossa produção é para garantir a vida e sua diversidade. Estamos aqui criando unidade e força popular para refletir e lutar juntos e juntas pela água e pela vida nas suas variadas dimensões. O que nos faz comum na relação com a natureza é garantir a vida. A nossa luta é a garantia da vida. É isso que nos diferencia dos projetos e das relações do capital expressos no Fórum das Corporações – Fórum Mundial da Água.

Também estamos aqui para denunciar a 8º edição do Fórum Mundial da Água (FMA), o Fórum das Corporações, evento organizado pelo chamado Conselho Mundial da Água, como um espaço de captura e roubo das nossas águas. O Fórum e o Conselho são vinculados às grandes corporações transnacionais e buscam atender exclusivamente a seus interesses, em detrimento dos povos e da natureza.

Nossas constatações sobre o momento histórico

O modo de produção capitalista, historicamente, concentra e centraliza riqueza e poder, a partir da ampliação de suas formas de acumulação, intensificação de seus mecanismos de exploração do trabalho e aprofundamento de seu domínio sobre a natureza, gerando a destruição dos modos de vida. Vivemos em um período de crise do capitalismo e de seu modelo político representado pela ideologia neoliberal, na qual se busca intensificar a transformação dos bens comuns em mercadoria, através de processos de privatização, precificação e financerização.

A persistência desse modelo tem aprofundado as desigualdades e a destruição da natureza, através dos planos de salvamento do capital nos momentos de aprofundamento da crise. Nesse cenário, as ações do capital são orientadas pela manutenção a qualquer custo das suas taxas de juros, lucro e renda.

Esse modelo impõe à América Latina e ao Caribe o papel de produtores de artigos primários e fornecedores de matéria prima, atividades econômicas intensivas em bens naturais e força de trabalho. Subordina a economia desses países a um papel dependente na economia mundial, sendo alvos prioritários dessa estratégia de ampliação da exploração a qualquer custo.

O Brasil, que sedia esta edição do FAMA, é exemplar nesse sentido. O golpe aplicado recentemente expõe a ação coordenada de corporações com setores do parlamento, da mídia e do judiciário para romper a ordem democrática e submeter o governo nacional a uma agenda que atenda seus interesses rapidamente. A mais dura medida orçamentária do mundo foi implantada em nosso país, onde o orçamento público está congelado por 20 anos, garantindo a drenagem de recursos públicos para o sistema financeiro e criando as bases para uma onda privatizante, incluindo aí a infraestrutura de armazenamento, distribuição e saneamento da água.

Quais são as estratégias das corporações para a água?

Identificamos que o objetivo das corporações é exercer o controle privado da água através da privatização, mercantilização e de sua titularização, tornando-a fonte de acumulação em escala mundial, gerando lucros para as transnacionais e ao sistema financeiro. Para isso, estão em curso diversas estratégias que vão desde o uso da violência direta até formas de captura corporativa de governos, parlamentos, judiciários, agências reguladoras e demais estruturas jurídico-institucionais para atuação em favor dos interesses do capital. Há também uma ofensiva ideológica articulada junto aos meios de comunicação, educação e propaganda que buscam criar hegemonia na sociedade contrária aos bens comuns e a favor de sua transformação em mercadoria.

O resultado desejado pelas corporações é a invasão, apropriação e o controle político e econômico dos territórios, das nascentes, rios e reservatórios, para atender os interesses do agronegócio, hidronegócio, indústria extrativa, mineração, especulação imobiliária e geração de energia hidroelétrica. O mercado de bebida e outros setores querem o controle dos aquíferos. As corporações querem também o controle de toda a indústria de abastecimento de água e esgotamento sanitário para impor seu modelo de mercado e gerar lucros ao sistema financeiro, transformando direito historicamente conquistado pelo povo em mercadoria. Querem ainda se apropriar de todos os mananciais do Brasil, América Latina e dos demais continentes para gerar valor e transferir riquezas de nossos territórios ao sistema financeiro, viabilizando o mercado mundial da água.

Denunciamos as transnacionais Nestlé, Coca-Cola, Ambev, Suez, Veolia, Brookfield (BRK Ambiental), Dow AgroSciences, Monsanto, Bayer, Yara, os organismos financeiros multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, e ONGs ambientalistas de mercado, como The Nature Conservancy e Conservation International, entre outras que expressam o caráter do “Fórum das Corporações”. Denunciamos o crime cometido pela Samarco, Vale e BHP Billiton, que contaminou com sua lama tóxica o Rio Doce, assassinando uma bacia hidrográfica inteira, matando inúmeras pessoas, e até hoje seu crime segue impune. Denunciamos o recente crime praticado pela norueguesa Hydro Alunorte que despejou milhares de toneladas de resíduos da mineração através de canais clandestinos no coração da Amazônia e o assassinato do líder comunitário Sergio Almeida Nascimento que denunciava seus crimes. Exemplos como esses têm se reproduzido por todo o mundo.

Os povos têm sido as vítimas desse avanço do projeto das corporações. As mulheres, povos originários, povos e comunidades tradicionais, populações negras, migrantes e refugiados, agricultores familiares e camponeses e as comunidades periféricas urbanas têm sofrido diretamente os ataques do capital e as consequências sociais, ambientais e culturais de sua ação.

Nos territórios e locais onde houve e/ou existem planos de privatização, aprofundam-se as desigualdades, o racismo, a violência sexual e sobrecarga de trabalho para as mulheres, a criminalização, assassinatos, ameaças e perseguição a lideranças, demissões em massa, precarização do trabalho, retirada e violação de direitos, redução salarial, aumento da exploração, brutal restrição do acesso à água e serviços públicos, redução na qualidade dos serviços prestados à população, ausência de controle social, aumentos abusivos nas tarifas, corrupção, desmatamento, contaminação e envenenamento das águas, destruição das nascentes e rios e ataques violentos aos povos e seus territórios, em especial às populações que resistem às regras impostas pelo capital.

A dinâmica de acumulação capitalista se entrelaça com o sistema hetero-patriarcal, racista e colonial, controlando o trabalho das mulheres e ocultando intencionalmente seu papel nas esferas de reprodução e produção. Nesse momento de ofensiva conservadora, há o aprofundamento da divisão sexual do trabalho e do racismo, causando o aumento da pobreza e da precarização da vida das mulheres.

A violência contra as mulheres é uma ferramenta de controle sobre nossos corpos, nosso trabalho e nossa autonomia. Essa violência se intensifica com o avanço do capital, refletindo-se no aumento de assassinato de mulheres, da prostituição e da violência sexual. Tudo isso impossibilita as mulheres de viver com dignidade e prazer.

Para as diversas religiões e espiritualidades, todas essas injustiças em relação às águas e seus territórios, caracterizam uma dessacralização da água recebida como um dom vital, e dificultam as relações com o Transcendente como horizonte maior das nossas existências.

Destacamos que para os Povos Originários e Comunidades Tradicionais há uma relação interdependente com as águas, e tudo que as atinge, e que todos os ataques criminosos que sofre, repercutem diretamente na existência desses povos em seus corpos e mentes. Esses povos se afirmam como água, pois existe uma profunda unidade entre eles e os rios, os lagos, lagoas, nascentes, mananciais, aquíferos, poços, veredas, lençóis freáticos, igarapés, estuários, mares e oceanos como entidade única. Declaramos que as águas são seres sagrados. Todas as águas são uma só água em permanente movimento e transformação. A água é entidade viva, e merece ser respeitada.

Por fim, constatamos que a entrega de nossas riquezas e bens comuns conduz a destruição da soberania e a autodeterminação dos povos, assim como a perda dos seus territórios e modos de vida.

Mas nós afirmamos: resistimos e venceremos!

Nossa resistência e luta é legítima. Somos os guardiões e guardiãs das águas e defensores da vida. Somos um povo que resiste e nossa luta vencerá todas as estruturas que dominam, oprimem e exploram nossos povos, corpos e territórios. Somos como água, alegres, transparentes e em movimento. Somos povos da água e a água dos povos.

Nestes dias de convívio coletivo, identificamos uma extraordinária diversidade de práticas sociais, com enorme riqueza de culturas, conhecimento e formas de resistência e de luta pela vida. Ninguém se renderá. Os povos das águas, das florestas e do campo resistem e não se renderão ao capital. Assim também tem sido a luta dos povos, dos operários e de todos os trabalhadores e trabalhadoras das cidades que demonstram cada vez maior força. Temos a convicção que só a luta conjunta dos povos poderá derrotar todas as estruturas injustas desta sociedade.

Identificamos que a resistência e a luta têm se realizado em todos os locais e territórios do Brasil e do mundo e estamos convencidos que nossa força deve caminhar e unir-se a grandes lutas nacionais e internacionais. A luta dos povos em defesa das águas é mundial.

Água é vida, é saúde, é alimento, é território, é direito humano, é um bem comum sagrado.

O que propomos

Reafirmamos que as diversas lutas em defesas das águas dizem em alto e bom som que água não é e nem pode ser mercadoria. Não é recurso a ser apropriado, explorado e destruído para bom rendimento dos negócios. Água é um bem comum e deve ser preservada e gerida pelos povos para as necessidades da vida, garantindo sua reprodução e perpetuação. Por isso, nosso projeto para as águas tem na democracia um pilar fundamental. É só por meio de processos verdadeiramente democráticos, que superem a manipulação da mídia e do dinheiro, que os povos podem construir o poder popular, o controle social e o cuidado sobre as águas, afirmando seus saberes, tradições e culturas em oposição ao projeto autoritário, egoísta e destrutivo do capital.

Somos radicalmente contrários às diversas estratégias presentes e futuras de apropriação privada sobre a água, e defendemos o caráter público, comunitário e popular dos sistemas urbanos de gestão e cuidado da água e do saneamento. Por isso saudamos e estimulamos os processos de reestatização de companhias de água e esgoto e outras formas de gestão. Seguiremos denunciando as tentativas de privatização e abertura de Capital, a exemplo do que ocorre no Brasil, onde 18 estados manifestaram interesse na privatização de suas companhias.

Defendemos o trabalho decente, assentado em relações de trabalho democráticas, protegidas e livre de toda forma de precarização. Também é fundamental a garantia do acesso democrático e sustentável à água junto à implementação da reforma agrária e defesa dos territórios, com garantia de produção de alimentos em bases agroecológicas, respeitando as práticas tradicionais e buscando atender a soberania alimentar dos trabalhadores e trabalhadoras urbanos e do campo, florestas e águas.

Estamos comprometidos com a superação do patriarcado e da divisão sexual do trabalho, pelo reconhecimento de que o trabalho doméstico e de cuidados está na base da sustentabilidade da vida. O combate ao racismo também nos une na luta pelo reconhecimento, titulação e demarcação dos territórios dos povos originários e comunidades tradicionais e na reparação ao povo negro e indígena que vive marginalizado nas periferias dos centros urbanos.

Nosso projeto é orientado pela justiça e pela solidariedade, não pelo lucro. Nele ninguém passará sede ou fome, e todos e todas terão acesso à água de qualidade, regular e suficiente bem como aos serviços públicos de saneamento.

Nosso plano de ações e lutas

A profundidade de nossas debates e elaborações coletivas, o sucesso da nossa mobilização, a diversidade do nosso povo e a amplitude dos desafios que precisam ser combatidos nos impulsionam a continuar o enfrentamento ao sistema capitalista, patriarcal, racista e colonial, tendo como referência a construção da aliança e da unidade entre toda a diversidade presente no FAMA 2018.

Trabalharemos, através de nossas formas de luta e organização para ampliar a força dos povos no combate à apropriação e destruição das águas. A intensificação e qualificação do trabalho de base junto ao povo, a ação e a formação política para construir uma concepção crítica da realidade serão nossos instrumentos. O povo deve assumir o comando da luta. Apostamos no protagonismo e na criação heroica dos povos.

Vamos praticar nosso apoio e solidariedade internacional a todos os processos de lutas dos povos em defesa da água denunciam a arquitetura da impunidade, que, por meio dos regimes de livre-comércio e investimentos, concede privilégios às corporações transnacionais e facilitam seus crimes corporativos.

Multiplicaremos as experiências compartilhadas no Tribunal Popular das Mulheres, para a promoção da justiça popular, visibilizando as denúncias dos crimes contra a nossa soberania, os corpos, os bens comuns e a vida das mulheres do campo, das florestas, águas e cidades.

A água é dom que a humanidade recebeu gratuitamente, é direito de todas as criaturas e bem comum. Por isso, nos comprometemos a unir mística e política, fé e profecia em suas práticas religiosas, lutando contra os projetos de privatização, mercantilização e contaminação das águas que ferem a sua dimensão sagrada.

O Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) apoia, se solidariza e estimulará todos os processos de articulação e de lutas dos povos no Brasil e no mundo, tais como a construção do “Congresso do Povo”, do “Acampamento Terra Livre”, da “Assembleia Internacional dos Movimentos e Organizações dos Povos”, da “Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo”; da campanha internacional para desmantelar o poder corporativo e pelo “tratado vinculante” como ferramenta para exigir justiça, verdade e reparação frente aos crimes das transnacionais.

Convocamos todos os povos a lutar juntos para defender a água. A água não é mercadoria. A água é do povo e pelos povos deve ser controlada.

É tempo de esperança e de luta. Só a luta nos fará vencer. Triunfaremos!

Assinam a declaração:

  • Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
  • Articulação Semiárido Brasileiro
  • Associação Brasileira de Saúde Coletiva
  • Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
  • Cáritas Brasil
  • Central de Movimentos Populares
  • Conselho Nacional das Populações Extrativistas
  • Confederação Nacional dos Urbanitários
  • Confederação Nacional das Associações de Moradores
  • Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
  • Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
  • Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
  • Comissão Pastoral da Terra
  • Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas
  • Central Única dos Trabalhadores
  • Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
  • Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
  • Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal
  • Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
  • Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental
  • Federação Nacional dos Urbanitários
  • Federação Única dos Petroleiros
  • Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social
  • Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental
  • Internacional de Serviços Públicos
  • Marcha Mundial das Mulheres
  • Movimento dos Atingidos por Barragens
  • Movimento dos Pequenos Agricultores
  • Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil
  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
  • Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
  • ONG Proscience
  • Rede Mulher e Mídia
  • Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia
  • Sociedade Internacional de Epidemiologia Ambiental

 

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